Costurar é paixão. Ficar bom na costura é amor.


Costurar é paixão. Ficar bom na costura é amor.

Neste Dia dos Namorados achei que valia a pena pensarmos juntas sobre o amor, este sentimento que, de certo modo, é radicalmente diferente da paixão. Amor é construído, cuidado e é capaz de se refazer e se reconstruir muitas vezes. Paixão é um raio que cai sobre as nossas cabeças, nos eletrifica, nos dá uma baita sensação de bem estar e pode despertar uma força interna muito grande. Ignição.

Quem foi introduzido a alguma atividade manual, especialmente na idade adulta, lembra-se bem da paixão que sentiu ao ver as próprias mãos criando e a cabeça entrando naquele transe gostoso, dedilhando tecidos, juntando fragmentos e vivenciando a alegria de compor algo belo. Êxtase.

A sensação de querer mais e mais daquela experiência é inesquecível, mas nossos corpos e mentes certamente não aguentariam viver permanentemente nesse estado. Seria extremamente desgastante e exaustivo. Se você está ou esteve apaixonada, o sentimento é bem parecido. Quando a paixão se torna amor? Vou usufruir do meu momento de filosofia barata para dar meu palpite. O amor talvez comece quando o encanto da paixão vai se esvaindo e dando lugar às dificuldades de uma vida a dois. O amor começa quando há a disposição comum de dois sujeitos de trabalhar para que a relação funcione, quando ambos se colocam flexíveis e, de algum modo, criam resiliência para passar pelos momentos ruins que certamente vão chegar. Amor não é transe, não é levitação, é trabalho aqui e agora, todos os dias. Mas isso não quer dizer que este dia a dia não possa ser leve, bem humorado e revigorante.

Quando a gente passa do estado de paixão pela costura e começa a abraçar os desafios de costurar peças mais complexas, a encarar o trabalho repetitivo e maçante de costurar e descosturar para dominar alguma técnica, sinto claramente que uma relação amorosa está se construindo. Algo que vale a pena viver, algo que contém história, entrega e reverência. Amor.